Vale a pena pagar o INSS?

por Rosa Falcão

Em meio às mudanças propostas pela reforma da previdência, muitos trabalhadores que contribuem por conta própria se perguntam se vale a pena pagar o INSS. Afinal, o tempo mínimo de contribuição vai aumentar para 25 anos. Hoje, o homem, com 65 anos, e a mulher, com 60 anos, que contribuem por 15 anos podem se aposentar. Caso a mudança das regras seja aprovada, os trabalhadores terão que pagar a Previdência Social por mais 10 anos para completar o piso de 25 anos. A mulher se aposentará com 62 anos e o homem como 65 anos. Sem contar com a regra de transição mais dura para se enquadrar ao novo modelo de aposentadoria.

Poupança compulsória
Por outro lado, é bom saber que o INSS é uma poupança compulsória. O trabalhador contribui agora para ter uma renda após deixar o batente. Mas a aposentadoria é apenas um dos benefícios garantidos. Se o trabalhador adoecer, recebe o auxílio-doença. Caso sofra um acidente de trabalho, tem o auxílio-acidente, sem contar com o auxílio-maternidade, no caso das mulheres. Existe ainda a aposentadoria precoce por invalidez. Ou seja, a Previdência Social é um guarda-chuva. Daí a importância de contribuir agora para ter a garantia mínima do seguro social.

De olho no futuro
A maioria das pessoas que está hoje na ativa tem a ideia romântica da aposentadoria. Considera que a responsabilidade de manter as suas despesas é exclusivamente do governo. Esquece que é preciso poupar agora enquanto possui força de trabalho, para formar um lastro financeiro. Por isso, quanto mais cedo começar a guardar dinheiro, a poupança vai engordar. Fica a dica para quem está iniciando a vida profissional. Por que não reservar uma quantia mensal da bolsa de estágio para a aposentadoria? Trocar o consumo imediato por uma boa causa: o conforto futuro.

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Reserva financeira
Além do INSS, as pessoas devem estruturar outras alternativas para financiar a aposentadoria. Explicando melhor: é recomendável ter uma reserva para sobreviver, sem depender do INSS ou recorrer aos familiares. Até porque, o teto máximo pago pelo INSS é de R$ 5.531,31. São várias as opções de investimentos:  previdência privada, títulos públicos do Tesouro, aplicações em renda fixa e caderneta de poupança. O importante é se informar e se planejar para viver confortável. Lembre-se que na velhice aumentam os gastos com plano de saúde, medicamentos, alimentação, transporte, cuidador, entre outros.

Como funciona hoje
Pode parecer alarmismo do governo para aprovar a reforma, mas a Previdência poderá entrar em colapso se nada for feito para conter o déficit das contas públicas. Vamos explicar como funciona. O sistema previdenciário brasileiro é de repartição simples. O que é isto? As pessoas que trabalham hoje contribuem para pagar os atuais aposentados e pensionistas. Como a população vive mais e a taxa de natalidade cai a cada ano, a tendência é ter menos gente para pagar os benefícios do INSS. A conta não fecha. O governo tem que cobrir o que falta todos os meses. Esta diferença é chamada de déficit previdenciário. O rombo projetado para este ano é de R$ 167,62 bilhões.

Todos no mesmo barco
Especialistas no tema, entre eles o pesquisador Paulo Tafner, do Ipea, consideram que existe o risco de faltar dinheiro para pagar os benefícios previdenciários no futuro próximo. Ao aproximar as regras dos dois regimes de aposentadoria (servidor público e trabalhador privado), a ideia da reforma é trazer todos para o mesmo barco. Ou seja, todo mundo tem que fazer sacrifício igual. É inadmissível o país conviver hoje com privilégios e regras especiais de aposentadoria. É melhor garantir os benefícios do que faltar dinheiro para pagar. Afinal, a sustentabilidade do regime previdenciário é interesse de todos nós brasileiros.

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