O que tem por trás do preço da gasolina

por Leianne Correia

A gasolina virou a estrela dos noticiários brasileiros como vilã do bolso do consumidor. Primeiro, aumentos sucessivos, culminando com a paralisação dos caminhoneiros. E a gente se pergunta o porquê destas altas. Para saber a resposta, é preciso entender como é feita a composição de preço deste combustível.

Então, vamos lá. Na ponta do lápis, o valor do litro da gasolina contém 28% que e a parte da Petrobras, mas não é a maior fatia. Esta é de 29% e é do ICMS (principal imposto estadual), seguido de 16% da Cide, PIS/Pasep e Cofins (contribuições federais), 14% da distribuição e revendas, e, por último, 13% do custo do etanol anidro.

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Traduzindo os números. O maior percentual fica para pagamento do ICMS. Os governos estaduais têm alíquotas de ICMS elevadas para este setor como forma de garantir recursos para a arrecadação. Para se ter uma ideia, somente o setor de combustíveis garante 20% do recolhimento do tributo em Pernambuco. A alíquota média deste tributo é de 17%. Para os combustíveis, o índice do Nordeste pula para 29%. E ninguém está disposto a abrir mão desta receita garantida, já que a arrecadação acontece diretamente nas distribuidoras, reduzindo a chance de sonegação.

A segunda fatia da composição do preço fica com a Petrobras, afinal é quem fornece o produto. Depois vêm as contribuições federais. É com a arrecadação delas que o governo garante recursos para investir em saúde, educação e repassar aos estados e municípios via fundo de participação. Leia-se a mesada que o pai dá aos filhos todos os meses.

Em terceiro lugar, o percentual da distribuição e revendas. Afinal, fazem parte da cadeia produtiva e eles têm que garantir seu quinhão. Por fim, o custo com o etanol. É a parte que o governo dá uma ajudinha ao setor sucroalcooleiro e adiciona etanol à gasolina, garantindo a compra do estoque dos produtores nacionais.

Explicado o preço do litro da gasolina por dentro, a pergunta é: por que ele vem subindo constantemente? A Petrobras mudou a política de preço deste combustível. Na avaliação de especialistas, antes, o governo intervinha diretamente no valor da gasolina, bancando subsídios para que o custo final ao consumidor fosse menor. Agora, com a alteração, o preço fica à mercê do mercado. Sem a proteção do governo, o preço absorve toda a instabilidade dos mercados internacionais, desde as cotações do barril do petróleo à variação do dólar. Então, haja bolso.

Para quem quer dicas de como economizar na gasolina, clique aqui. Ou aqui se precisar de conselhos de consumo sobre a greve dos caminhoneiros

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