A inflação está baixa, mas o bolso continua apertado em 2018

por Rosa Falcão

Queda de 4,85% no preço dos alimentos puxou a inflação de 2017 para baixo

A inflação de 2017 anunciada pelo IBGE no começo deste ano de 2,95% gerou controvérsias. Muitos brasileiros se perguntam como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi o menor desde 1998, se subiram de preço o botijão de gás, a gasolina, o plano de saúde, a conta de luz, o transporte público, os medicamentos. Afinal, o bolso continua apertado, mas a inflação está sob controle. Aí começam a surgir dúvidas sobre o índice. Afinal, o que aconteceu com o IPCA, que mede a inflação das famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos?

O cálculo da inflação
Para compreender melhor é preciso saber como é construído o IPCA, índice que mede a inflação oficial do país. Imagine uma cesta com vários produtos. Dentro da cesta estão os itens de alimentação, produtos de higiene e limpeza, combustíveis, gastos com saúde, transportes, tarifas públicas (luz, água, esgoto, telefone), educação, entre outros. Cada um desses itens possui um peso no cálculo da inflação. Os alimentos para consumo em casa é o segundo item que mais pesa (15,67%) e tal item teve redução de 4,85% em 2017.

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Alimentos baixaram de preço
Foi exatamente o grupo alimentação e bebidas que puxou para baixo a inflação de 2017. Eles representam 1/4 das despesas das famílias. Segundo o IBGE, a boa safra, cujo aumento registrado foi de 30% no ano passado, fez com que os alimentos de uma maneira geral ficassem mais baratos e impedissem a alta do IPCA. Vamos aos exemplos: o feijão ficou 46,06% mais barato, o açúcar cristal caiu 22,31%, a banana prata ficou 19,5% mais em conta, o preço do inhame caiu 41,82% e a mandioca ficou 17,32% mais barata.

Os vilões de 2017
Em contrapartida, lideraram as altas de preço: o botijão de gás (16%), os planos de saúde (13,53%), a energia elétrica residencial (10,35%), a gasolina (10,32%), as escolas de ensino médio (10,36%), os remédios (4,44%), os transportes (4,10%). Com exceção dos transportes, esses itens têm peso menor do que a alimentação no cálculo do IPCA, mas mexem no orçamento das famílias e são sensíveis ao bolso. Como o desemprego ainda está elevado no país e os rendimentos baixos, as pessoas sentiram o aperto e têm a sensação de alta maior de preços.

Transportes mais caros
Na composição do IPCA, o grupo saúde e cuidados pessoais tem o peso de 3,88% no orçamento e o de transportes detém 18% do IPCA. Nesse grupo estão os combustíveis, ônibus intermunicipal, emplacamento e licença de veículo, ônibus urbano, conserto de automóvel. Ou seja, se os preços dos alimentos não tivessem caído, a inflação de 2017 teria sido maior. Lembrando que em 2015 a taxa passou de dois dígitos e ficou em 10,67%. Em 2016, o IPCA cravou 6,29%.

2018 promete inflação baixa
Quais as projeções para 2018? De acordo com o Boletim Focus, a inflação deverá ficar abaixo de 4% este ano, mais uma vez inferior ao centro da meta. A vantagem da inflação sob controle é que o país poderá continuar a recuperação do crescimento econômico, gerando empregos e aumentando a massa salarial. Vamos torcer!

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    1. Olá Cristiane,
      Alguns fundos de investimentos foram remunerados acima da inflação oficial. Por isso é importante pesquisar e fazer uma análise dos tipos de fundos de renda fixa e de renda variável antes de decidir pelo tipo de investimento. Obrigada pela audiência!

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