Dependência do carro deixa brasileiro à beira de um ataque de nervos

por Rosa Falcão

 

 

O desabastecimento de combustível deixa várias lições para o brasileiro. A primeira delas é a dependência do carro. Seja para o trabalho, passeio, lazer. As pessoas se submeteram às filas quilométricas, dormiram no posto de combustível, perderam horas para encher o tanque do carro. Será que todos precisavam de combustível? Ou foi o efeito manada que provocou essa corrida maluca para pagar, no auge da crise, até R$ 10 por litro de gasolina? A preocupação das pessoas não era com comida, saúde, segurança, mas com o tanque cheio.

Só vou de carro – Tivemos dificuldades com o transporte público nos primeiros dias de greve dos caminhoneiros. Mas aos poucos a frota de ônibus voltou às ruas da Região Metropolitana de Recife. O metrô funcionou sem interrupção. Havia táxis e motoristas de aplicativos rodando – mesmo alguns superfaturando as corridas. Ouvi a história de uma médica que faltou ao plantão no hospital no final de semana porque não conseguiu colocar gasolina no carro. E as universidades que suspenderam as aulas antecipadamente. Pelo que eu sei, a maioria dos estudantes pega o busão.

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Vá de bike ou a pé – Usamos o carro irracionalmente. Além de gastar dinheiro com combustível caro, fazemos percursos curtos em quatro rodas, como ir dirigindo até o parque para chegar lá estacionar, e caminhar. Por que não começar a caminhada de casa para o parque? Outra opção é usar a bicicleta. Não só para o lazer, mas para ir ao trabalho. Aqui no meu prédio tem um porteiro que só se desloca de bike. A greve não atrapalhou a sua rotina.

Motorista solitário – Basta olharmos ao lado quando estamos parados no sinal. A maioria dos carros circula com uma única pessoa, o motorista. Pagamos combustível caro, enfrentamos engarrafamentos, sem contar com o estresse e o medo de ser assaltado no trânsito. Nos países desenvolvidos os carros são usados para o lazer dos finais de semana. Sei que o nosso transporte público de baixa qualidade e a má gestão não estimulam este comportamento. Mas se passarmos a usá-lo podemos cobrar.

Tanque no limite  – A segunda lição é a falta de planejamento. As pessoas têm o hábito de andar com o combustível baixo. São várias as desculpas: esquecimento, falta de tempo, comodismo. Claro que há também a falta de grana para encher o tanque. Vamos raciocinar. Se você usa o carro para trabalhar deve saber quanto gasta por mês de combustível. Que tal programar para abastecer com antecedência? Sem contar que andar na reserva queima mais combustível e acaba saindo mais caro para o bolso.

Carro na garagem – A terceira lição. A menor circulação de carros nas ruas traz bem estar para todos. Chegou a hora do plano de mobilidade urbana da cidade do Recife adotar o rodízio de carros. Aliás, já passou da hora. Da forma como está travado o trânsito, em pouco tempo ninguém conseguirá circular de carro. São horas e horas em engarrafamentos, poluindo o ar, gastando combustível, perdendo saúde e tempo. Vamos caminhar mais, gente!

 

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