Cheque especial muda, mas juros continuam alto

por Cláudia Santos

http://bit.ly/2GSCUd9

O cheque especial é um empréstimo de emergência para ser usado por pouco tempo. Na teoria, essa criação genuinamente brasileira, parece simples. Na prática, muita gente se enrola com essa facilidade disponível na conta corrente. E paga caro por isso. Os juros são os maiores entre todas as modalidades de crédito. São proibitivos 324,1% ao ano.

Mudanças à vista
A Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) se comprometeu em dar uma ajudinha ao consumidor que entra no cheque especial. Baixou uma norma, que pode ser seguida ou não pelos bancos, que muda alguns procedimentos, mas não mexe na taxa de juros. Em defesa das instituições financeiras, o presidente da Febraban, Murilo Portugal, declarou que a maioria não paga essa taxa astronômica porque usa em média o cheque especial por 16 dias, com valor médio de R$ 900.

Aviso de crédito mais barato
Pelas novas regras, os bancos devem avisar ao cliente que ele entrou no cheque especial. Serão oferecidas alternativas mais baratas de empréstimo. Se ele comprometer 15% do limite disponível por 30 dias, o banco pode oferecer o parcelamento da dívida em outra modalidade de crédito. O cliente decide se aceita ou não. Caso permaneça no cheque especial, o banco renova a oferta de parcelamento a cada 30 dias.

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Limites e condições
O parcelamento só vale para dívidas a partir de R$ 200. O banco também avalia se mantém o limite de crédito do consumidor ou estabelece novas condições. Nesse caso, a avaliação seria sobre o limite ainda não utilizado pelo cliente e não parcelado. As novas regras valem a partir de 1º de julho e incluem também a determinação de que os bancos informem em separado do saldo do cliente o valor do limite no cheque especial.

Como funciona
O cheque especial é um crédito pré-aprovado pelo banco para o cliente, de acordo com o perfil da conta. Quando você ultrapassa o saldo em conta, entra automaticamente no cheque especial. Os juros são cobrados pelo tempo em que você fica negativo. Por exemplo, se você fez um gasto de R$ 200 e tinha somente R$ 100 de saldo em conta, entra em R$ 100 no cheque especial. Os juros serão cobrados pelo prazo em que seu saldo não foi reposto.

Cheque especial não é renda
O cheque especial não é a modalidade de crédito mais utilizada pelos consumidores. Fica abaixo do credito consignado, que tem juros menores. Mesmo assim, há quem use o empréstimo como uma extensão do salário. Parece acreditar que o limite, que alguns bancos somam ao saldo da conta, é seu de verdade. E entra nessa ciranda mensal de endividamento. O que deveria ser usado em uma emergência passa a ser parte do “orçamento” mensal, E aí pode complicar.

Comece negociando
Se você já entrou nessa onda do cheque especial e se endividou, aproveite a dica da normatização e negocie desde já uma mudança na modalidade de crédito com seu banco. Um empréstimo consignado ou um crédito pessoal podem fazer uma enorme diferença com o que você empata de juros no cheque especial. Nem sempre as facilidades do crédito automático favorecem o seu bolso.

Para fugir do descontrole
Pode até parecer simples esse jogo de usar o cheque no final do mês, mas é bom lembrar que qualquer imprevisto pode pôr abaixo essa “estratégia” e levar ao descontrole e endividamento. O bom é não gastar mais do que se ganha. Melhor ainda, poupar um pouco – ou seja, deixar sobrar algum dinheiro – e fazer um investimento. Vale começar pela caderneta de poupança e evitar surpresas desastrosas.

Veja a normatização do uso do cheque especial aqui

 

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